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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O TEMPO PASSA

Julguei-te resolvido... sim...
Um problema arrumado lá no fundo do meu gavetão.
Mas não...
A tua postura
O teu cheiro,
A tua textura...
Resolvidos estão os meus medos
Mas nãos as minhas verdades.
 Outrora tinha tantos sonhos por realizar,
Agora o que tenho?
Nada, a crença é uma chama que não arde
P'lo menos aqui no meu centro...
Talvez arda no que me é alheio
Tudo porque continuas a existir!
Morre! Morre! Mas morre aos poucos
Para que eu vá morrendo a teu lado...
Que estúpido que sou!
Mas faria tudo de novo...
Sei que faria tudo de novo...
Por ti, faria tudo de novo...

RENATO MACHADO

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Isto da poesia… tem coisa que se diga...

Tem coisa mais estranha que a palavra?
Encontrar rima onde não existe…
A gente junta palavra com palavra,
É um caça-palavra!
Credo! Cristo!
Que esta rima persiste…
Nunca tinha visto disto,
Onde já se viu rimar sem ligar ao sentido?!

Talvez o dicionário, dele a tenha varrido…
Será que encontro tal léxico por aí perdido?
Vou mas é pensar no que hei-de escrever,
Uma palavra curta de tamanho menor
Ou palavra alongada de tamanho superior?
Alguma coisa há-de ser.
Devo eu desistir
Ou continuar até finalmente me sair?

Esta coisa das palavras é cá uma trabalheira…
Porque não posso eu escrever poesia à minha maneira?
Vai na volta se rimar, rimou!
Se não der…olha… paciência…
É apenas poesia, não requer muita sapiência.
O que está escrito, escrito está…
E mais escreveria se mais léxico houvesse
E até mesmo se mais linhas eu tivesse,
(Claro está)
E assim termino um poema que não começou.



Renato Machado

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tudo isto me dói

A tua saudade tem nome de futuro,
Tem vida feita no passado…
Porém mora no meu agora, no meu presente.
A tua saudade é tristeza encurralada para lá do muro,
É sentimento que persiste e eu não o censuro,
Uma muralha que me esfuma a mente,
Desaba sobre mim cada vez que se a sente…
É p’la tua saudade que todos os dias sou visitado.

Falta-me a tua grandeza e a tua pequenez,
O olhar-te, ver-te, sentir-te cada vez que penso num “talvez”…
Falta-me a tua presença que ardia em mim,
O querer estar presente onde não estou,
Porque tu lá estás e contigo, parte de mim ficou…
Esta é a tua saudade, que não me mata
Mas deixa-me assim,
À beira do abismo, da salvação, do fim.

Tudo isto me dói por te sentir saudade,
Por me sentir vivo, mas incompleto.
Por me ver por dentro e achar-me um ser obsoleto…
Tudo isto me dói por ser apenas uma metade.





Renato Machado

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O meu Baloiço

É um vai e vem,
Um baloiço de pensamentos e recordações
Como recuar ao início do passado
E lançar-me ao incerto futuro desconhecido, enublado…
E vai… e vem…
Um baloiço, uma balança,
Uma dança!
O deixar-me conduzir p’las mãos de outro alguém…
Balançando entre memórias,
Velhas brisas poeirentas em histórias
Confundidas no meio de ilusões…

Meu baloiço vai alto
Tocar o desejo de escapar ao futuro
“É desta vez, eu juro!”
E a gravidade do passado aconchega-me ao asfalto…
Meu baloiço ia alto…

Ia alto, à altura que me queria tocar,
E voltei, recuei…
Fui o sonho que não fui
Fui o sonho que sempre serei,
Meu baloiço volta ao chão e torna a voar.



Renato Machado

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Nuts

Nem todos os que voam têm asas.
Nem todos os anjos possuem asas…
Por todos aqueles que delas não necessitam,
Para esses existem asas.

Mais valia se fosse a persistência a triunfar
Às asas comandadas por quem não conhece tamanho valor,
De quem só conhece a vontade de ser maior,
À vontade honesta de se primar.



Renato Machado

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sem panos nem planos

Talvez um dia ou para nunca mais…
Peixe, a maré ainda vaza?
Já sinto o cheiro do mar entrando em mim,
Cada molécula que se diz água
Rasgando-me num frenesim
Até alcançar a pedra segura do meu cais,
Talvez nesse dia, seja dia de nunca mais…
Vou ancorar mesmo aqui,
Tentar fazer da vida, a minha nova casa
E apelidar de vida a minha eterna mágoa.

Peixe, quando me levas contigo na maré?
Céu azul empalidecido é calor querendo chegar…
Mentiroso oprimido
Esperançado e destemido
Ansioso que o tempo o consiga enganar…
Talvez um dia… hoje não.
Sou massa mal cozida que não deu pão,
Massa rebelde que não lhe quis mão…
Talvez um dia, mas hoje vou a pé.





Renato Machado

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Poema da Indiferença

A indiferença faz-se de ver os outros,
Faz-se do tempo e da atenção dada ao alheio,
Faz-se da indiferença de o dizer a peito cheio…
Faz-se da carência de vertentes para onde olhar,
Faz-se da dor doida prestes a ajudar…
É saber em nós que necessitamos dos outros.

Viram-se costas desejosas apenas de chorar,
Mundos avessados desejosos de se levantar.
Vontade e coração numa luta tantas vezes desigual,
Onde o bem não é de ninguém
E o mal é fogo inato, animal…
Indiferença é vontade e coração eternamente a balançar.

Porque o homem é ser nascido da falsa indiferença
Quando Deus lá não está, mas vai nascendo em cada presença.
E nasce consigo, porém alheio à crença
Porque mesmo sem se crer, teme-se uma sentença.

E quando a indiferença não está onde se espera estar,
Há quem seja mais destemido e tome-lhe o lugar.
Faça da falsa cegueira um refugio para a falta de sentido,
E da falsa compaixão, um império destemido!

Indiferente é o gentílico da cada um,
Pois não existe quem não o seja,
Se esta é a suprema sentença que não escapa a nenhum.
Sejam felizes na negação da indiferença
Que ser-se humano nem sempre é recompensa,
E acentuo que Indiferente é o gentílico de cada um.


Renato Machado

quarta-feira, 5 de maio de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Quero...

Quero dar um passo
Não…quero mais, quero dar dois!
Quero um abraço,
Quero um regaço,
Quero mais, quero espaço,
Quero o antes, o agora e o depois…
Quero saltar de sonho em sonho,
Quero navegar daqui para acolá,
Quero sentar-me e beber chá,
Quero tudo aquilo a que me disponho,
Quero o mundo, quero deus, quero alá!

Mas a vida não é assim
Não basta sonhar
Não vale a pena implorar,
Não me cai do céu o pó de perlimpimpim…

Quero dizer adeus ao chegar
Quero saudar na despedida,
Quero ser eu a assinalar a partida,
Quero ser um carro de corrida,
Quero prazer e me presentear
Com o que há de melhor e pior na vida.
Quero um beijo roubado,
Roubar o destino que não me pertence,
Quero eliminar aquilo que me vence,
Para me poder desprender
Voltar a ser
Recomeçar a viver,
Sem viver no passado.



Renato Machado

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lágrimas

Uma lágrima é um mito,
Uma lenda que vai descendo suavemente
Contando fábulas de passados menos felizes
Que a gente escuta atentamente
Sentindo o sal na nossa pele dormente,
Como se fosse impelida a vontade de soltar um grito.
Uma lágrima é diamante bruto do coração
Extraído pela pá e a picareta da emoção.
Uma lágrima é fruto tantas vezes maduro.
Que cai com o passar das eras.
Das lágrimas também nascem as primaveras…
Lágrima é fruto rijo na verdura da vida,
Que se agarra ao que a contém…
Já que chorar não se digna por ninguém,
Pois o esquecimento é tantas vezes uma lágrima contida…



Renato Machado

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O barco vai quando há bonança…

Não aceito devoluções
Nem reclamações de sentimentos gastos.
Desculpem, mas por hoje fechou…
Quem julgam ser?
Quem julgam ser neste circulo de varões?
Nada depende do que quero dar,
Somente a intenção com que as quero receber…
Não foi a minha alma que se esgotou,
Muito menos a garra, a fúria que se emancipou!
Só estou cansado de todos os dias me defender…

Quem come um prato de vaidade
Não engole a seco a humilhação…
Mas quem se senta à mesa na cadeira comida p’la humildade,
Tem fome de tudo que vê
Esquecendo-se tantas vezes a dignidade…
De tantas vezes que nos apodrece o coração.

Nem cavalo nem espada.
Nem força para as arreias da confiança…
“Espera filho… o barco vai quando há bonança…
Espera filho… a noite é uma criança.”



Renato Machado

terça-feira, 13 de abril de 2010

Paralelos

Lá ao fundo, vejo a invisibilidade
As formas que se pavoneiam e troçam de quem não as vê…
Dançam freneticamente entre os braços da ventania
E gracejam movimentos de alegria
Como se a cegueira fosse a sua magia…
Como se a cegueira fosse dom prodigioso digno de gratidão…
Minha estranha maldade,
Meu pedaço de nada sem piedade…
Meu fruto inglório aos infortúnios da solidão.

Silêncio…
Elas caminham lá de longe pisando flores,
Cada passo, cada impulso…cada nota… cantada por entre respirações…

Não venham tarde… venham com o cair da escuridão.
Mas não batam a porta,
Entra simplesmente, como se o meu mundo fosse vosso,
Como se o ar que respiram fosse vosso…
Como se o meu coração fosse o vosso…
Espero… sem querer uma razão.

Não deixem que eu me desprenda,
Cortando as amarras que me prendem ao vosso lugar.
Quero continuar a ver o que não existe,
Como se existisse e fosse a realidade em mim soberana.
Porque o que os outros vêm, é apenas uma forma humana
Imperfeita, sem emenda
Desprezando até a sua corrigenda…
Quero apenas ver e saber que é na ilusão que quero ficar…
Para sempre o meu eterno lar…

Adeus não digo…
Apenas agradeço,
E assim da realidade fria me despeço,
Pois é por este caminho que agora sigo.




Renato Machado

segunda-feira, 5 de abril de 2010

My Sweet July

Quero fugir daqui…
Quero ter palavras soltas,
Quero libertar os meus pensamentos negros,
Porque não há cor de onde vim…
Não há luz no céu, no lugar onde nasci…

Lateja-me as veias o sufoco de não poder estar comigo,
O sufoco de ser eu mesmo, o meu inimigo…
O sufoco de não conhecer em mim mesmo,
O meu abrigo…

Rasga-me o corpo o sorriso jogado sem qualquer sentimento,
E o olhar preocupado, que nem no fundo tem preocupação…
E quero fugir até de mim…
Apenas sei que não quero estar cá quando for o fim,
Para sem medos, poder sorrir, gargalhar de satisfação!
Rir, pois o mundo tem mais para me dar então,
Sentir que se findou em mim, o meu sofrimento….

És apenas mais um que se vai,
Mais um que parte sem nada me dizer…
Mas eu não tenho a culpa de não ter amor para dar,
Se o teu amor nunca o tive a receber…
A pequena lágrima que agora me cai,
Não é por tristeza por te perder,
Mas liberdade em mim a nascer…




Renato Machado

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Beijo

Será proeza tamanha a sabedoria de amar livremente?
Os seus dedos rodopiam na incessante trégua sem razão…
Se as memórias alimentam as sensações,
Se os gritos escutados, são bramidos de corações,
Para quê esconder aquilo que de veras se sente?
Não será gesto este mais prudente,
Que viver na própria negação?
E os impulsos que são humanos,
Escondem-se por detrás do pano opaco translúcido
Com medo até de poder voltar a sentir a liberdade…
A estranha sensação de ser livre para amar!
Como se a sua alma fosse livre de se ausentar,
Dos deveres por si impostos, desumanos.
Mas é dele a vontade de se sentir oprimido,
Dele a vontade e a força de se conquistar…
E poder amar,
E voltar a amar…
Amar, ser livre de amar… no beijo da liberdade!





Renato Machado

sexta-feira, 19 de março de 2010

Guarda-Jóias

Vou neste caminho desalinhado
Como se a parte mais próxima de mim
Fosse a distância que me une os segredos,
Os alicerces robustos ignorantes aos meus medos,
Que se revoltam cá dentro, tal tamanho frenesim,
No corpo entregue ao eterno segundo realizado.

Os cantos e recantos escondidos da minha essência
São vastos, são infinitos,
São carreiros de pedras roladas, macias à passagem.
São guarda-jóias que se mostram com imponência,
Vitrinas expositoras de sentimentos bonitos,
Que nada mais são que uma manipulada imagem.

E o pequeno diamante reluzente
Está feliz por ser forte,
Por saber as lapidadas sofridas…
As forças inatas por si erguidas,
Pois é pedra sem coração que, inexplicavelmente sente,
Até mesmo o arrepio da morte.




Renato Machado

quarta-feira, 10 de março de 2010

Não o fales em inglês

Calma… não carece de pressa.
Passo a passo, devagarinho,
Tudo se faz, tudo tem a sua vez…
Hoje a palavra que se confessa,
O olhar roubado quando teu corpo me atravessa…
Mas não o fales em inglês!

Não digas palavras para a qual não tens um sentido,
Diz-me o dia-a-dia,
Uma palavra vaga… para mim já é alegria!
Um sorriso… uma expressão…
Pouco a pouco… o meu coração!
E sem o perceber, ao teu encontro, terei sorrido.

O mundo não acaba amanhã…
Toca nas pequenas maravilhas da aventura!
Toca em mim, toco em ti… será ternura…
A felicidade no pecado dentado na nossa maçã.



Renato Machado

sábado, 6 de março de 2010

p'ra fugir da rotina de poemas...

Reparem bem neste pequeno diálogo que no outro dia surgiu dentro da minha cabeça…

- No outro dia dei por mim a pensar em coisas que tenho saudades…
- Ah sim? E o que foi que te lembraste?
- Olha… tanta coisa! De jogar ao berlinde por exemplo!... De coleccionar os cromos e não comer os Bollycaos… tenho saudades daquele ano que íamos para a escola e ainda o sol não tinha nascido… lembras-te disso?
- Não. Era muito pequeno nessa altura. Só o sei porque tu já me contaste isso, dezenas de vezes!
- Pois é, marcou-me… e tu?
- Eu o quê?
- De que é que tens saudades?
- Sei lá… nunca pensei muito nesse assunto. Mas agora que falas nisso…acho que tenho saudades de ser criança… principalmente, tenho saudades das vezes que ralhavas comigo…
- Saudades disso?! Porquê?
- Sei lá eu… não sei, mas cada vez que penso naquele tempos, fico com um aperto bom no coração. Fico feliz… não sei explicar bem, mas não época, eu ficava triste cada vez que ralhavas comigo, mas hoje entendo essas atitudes de outra forma. Então fico feliz ao perceber que naquela época era protegido.
- Quê? Ficas feliz só porque eu ralhava das asneiras que tu fazias? Tu não regulas…
- Sim! Que queres tu que eu faça? Naquele tempo era livre e não tinha responsabilidades. Apesar de fazer as coisas mal e levar raspanetes por isso, tudo acabava bem! Lá vinhas tu e resolvias o que havia p’ra resolver…
- Então, mas hoje és crescido! Já tens idade p’ra saberes cuidar de ti!
- Eu sei! Por isso é que tenho saudades! Sabes, é que quando somos pequenos, dependentes, queremos mais é que o tempo passe depressa! Estamos sempre a disparar: “nunca mais faço 18 anos!”… mas quando chegamos lá e vemos que estamos por nossa conta…
- Isso é verdade. Mas a liberdade tem tanta coisa boa…
- Mas não tem aquilo que me faz ter saudades de ser criança…
- O quê?
- Ora esta! Já disse! Tenho saudades de me sentir protegido! A liberdade, e dizes bem, dá-nos muitas coisas boas: uma vida pessoal, a nossa independência, a tal vida longe dos pais… saímos do mundo que sempre conhecemos e entramos num mundo completamente novo! Apesar de tudo isto, tenho saudades de poder cometer erros e ser perdoado, saudades de ter aquele porto de abrigo…
- E na liberdade também o tens.
- Sim, também. Mas aí passamos nós também a ralhar com os outros porque passamos a ter o tal sentido da preocupação… começamos nós a ser o porto de abrigo de alguém…
- Essa conversa parece-me um tanto ou quanto egoísta.
- Talvez… mas acho que é, principalmente, medo de crescer, de perceber que na minha vida, mas tarde ou mais cedo, terei que lhe tomar as rédeas, percebes?
- Cresce…
- Está bem. Irei crescer quer o queira, quer não… mas por favor, nunca deixes de ralhar comigo!





Renato Machado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um Pouco Winehouse

Aqui… por dentro,
As almas dançam no silêncio do som.
Exaltam o peso de mim em mim,
Exaltam a teimosa força de ser um dom…
Os perfumes… as formas… as luzes…
O vazio de um centro,
O desenho das cruzes,
Plantadas num horizonte sem fim…
Quadros que decoravam os meus pensamentos,
Quebraram amores com a beleza,
Quebraram pactos com a verdade…
Mas mentira…não existe… Lealdade!
Porque não me vence, nem luto pela incerteza
Mãe de todos os meus tormentos.
E quem consiga ver o meu coração
Que me diga onde o posso resgatar.
Por favor…Palpita-me oco o peito,
De jeito tosco…sem jeito…
Desajeitado, moribundo sem pressão…
Desesperado sem saber onde descansar…



Renato Machado

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Estranho-me...

Nem me sinto triste…
Nem me procuro nos recantos da solidão…
Não… se o meu ser, em mim existe,
Se nem ele da minha causa perdida desiste,
De que vale lutar p’lo negativismo em vão?
Não…
Sou um toque soturno de felicidade,
A névoa fria brincando no rosto de quem ri…
Divirjo… feliz… há sempre uma razão.
A dúvida persiste no que é a minha verdade,
A constante procura da minha trindade…
E eu… nunca saio daqui!
Aqui me plantei, aqui me cresci,
Uma árvore robusta, forte,
Um ser que não tem medo da morte
Mas tem medo da paixão…




Renato Machado

sábado, 23 de janeiro de 2010

Masoquismo

Como viver aprisionado na luz,
Um ser que não voa, que não plana
Mas uma alma brava que recusa pousar…
E vai tacteando todas as partículas no ar,
Escutando as vozes na mente que lhe engana…
Vivendo cada segundo da solidão da Luz.
E o vento turbulento que sopra estagnado,
Vem ferozmente abraçar o vazio…
Paz… clareia o imaculado da confusão,
Paz… ordena por ordem a ilusão…
E o que se apura sem prumo nem brio,
Vem como um calor ardente de calafrio,
Aninhar-se no escuro que ficou passado.

É como voltar a viver cada momento
E não poder dizer que já antes o tinhas vivido…
Apoiando-se naquilo que não se tem e se quer ter,
Quando a voz que lá ao fundo grita, não chama pelo seu nome…
Mais nada… só o vento!
A jangada de sentimentos vai-se destruindo,
Peça a peça, lá se vai tudo o que lhe fez viver…
Nessa luz que lhe exausta, seca os limites, tira-lhe a fome…

Jura-lhe que o tempo passou,
Conforta-lhe no escuro, chora, se isso o acalmar…
Mas segue… o passado, lá atrás ficou,
O frio, a luz… tudo isso se evaporou!
A noite por fim, chegou…
É hora daquele ser voltar a sonhar…

Renato Machado