terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Against Target

Enquanto acabava
O teu cigarro brilhava no escuro do silêncio.
Os olhares gritaram
Explodiram numa discussão calada
Que não disse nada, mas disse tudo.
Não foi preciso mais
Nunca foi preciso mais do que o que ficou por dizer.
Para quê estragar o momento
Com palavras sem sentido?
Já fomos tão longe num tempo que não teve tempo
Para as pequenas coisas que nos fariam felizes...
O melhor destino é ter dois destinos
Duas direcções em sentidos opostos.
(mas o mundo é redondo)
Havemos de encontrar maneira de sermos cordeais
Sorrisos diplomáticos
Como sempre fizemos.
Nada disto é novidade
Pois ambos baleámos os pés
Na esperança de perdermos o andar...
A teimosia é por defeito humana
A burrice, essa é tomada como amor...
Que nos sirva de lição
A estupidez de querer ficar em terreno seco
À espera que chova e que cresça alguma erva daninha.
Seria masoquismo... talvez seja melhor cortar em vez de balear
Já que a sorte tem os seu dias
Escolhemos por onde andar
Por outras vias
E quem sabe, se o destino é nosso amigo
E nos faça dispersar...

RENATO MACHADO




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Para uma canção...

O coração parou ,minha alma morreu
O meu corpo ficou, onde nada mudou.
Fiz questão de saber porque não funcionou
Se fui eu que criei porque é que não me amou?
Se fui eu que vivi, porque é que se findou?

É difícil  pensar que não está mais aqui
Quem em mim vai ficar
Remoendo o meu fim?

Já segui tantas vezes nas rectas da vida
E por mais curvas que venham nunca são a saída...
Já soube o que fazer,que fingir, que mostrar
Sem dizer que afinal foste o único a ficar.

Já voltei a tentar dizer que tudo passou
E voltei a falhar, pois nunca resultou
Estou de volta para ti, sem sinais de um amor
Só eu faço por ti todo o mal ou pior

...

Renato Machado








terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fui ficando

Fiquei para trás...
Na dúvida entre o saber
Entre as mãos que não procuram aconchego...
Deixei-me ficar
No escuro solitário do pensamento vago
Por ruas estreitas sem destino...
Fui vagueando na minha cascata
Procurando entender o que quero eu de mim.
Fui buscando cada gota salgada no chão,
Juntado todas as notas amargas
Na pauta sem harmonia da vida...


Fiquei para trás...
Perdido no tempo dos que nem tempo querem ter
Um lugar no rodapé.
Desci até mim
Descobrindo portas por abrir
Sem chave, sem fechadura
Gritando por socorro
Às carpideiras do neu sono
Que tomassem conta de mim
Se do meu ser eu não voltar...

Fiquei para trás...

Onde tudo é esquecido
Até mesmo a própria alma...
Parei no limbo
Receando o que de mim seria
Se tivesse que me enfrentar...
Não tenho espada, nem corcel nem guarda
Que me salve na hora que o medo de mim
Tomar lugar...

Renato Machado





segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Advice


Porque tens medo de ti?
Porque receias aquilo que amas
Se o que amas te faz feliz?
É demasiado curta a vida que nos calhou,
Então para quê desperdiçar o tempo
No receio da incerteza?
Ah meu amigo… sê feliz amando por amar!
Não queiras a solidão do arrependimento
Nem tão pouco a saudade do que ficou por fazer…
O tempo passa e a gente fica!
Ninguém espera por nós…
Somos mais do mesmo à espera que a vida
Nos mostre o caminho a seguir…
Por isso, se amas, voa!
Voa para lá da linha que demarca o horizonte!
Voa rumo aos sonhos que queres ver e realizar!
Não tenhas medo de ser feliz…
Não tenhas medo de amar o proibido
Se o proibido te é tão apetecido.
Somos partes da felicidade fragmentada do universo
Pequenos grãos de magia concentrados num só corpo!
Temos vida! Ama sem medo de amar!
Pois quando se ama, até a morte deixa de assustar…

RENATO MACHADO

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Madrugada

Porque temos sempre dois lados
Que nos fazem balançar na hora de escolher...
Não dá para ser perfeito
O passo errado será sempre o eminente
Será sempre a escolha menos acertada 
Na hora de repensar, na hora do arrependimento...
Mas fi-lo, está feito. Outros dias virão.
Não posso nem quero viver entre passados
Quando o futuro, por mais que incerto
Chega frio, sem aviso,
Estarei lá para o receber.

RENATO MACHADO





sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Shadows


Já nada me mete medo, anseio ou receio
Não. Nem mesmo quando a estrada é escura,
Quando o dia não chega
E eu tenho que me fazer ao caminho,
Não tenho medo.
Estou comigo, estou bem.
Mais vale só, comigo,
Pois só nunca me sinto sozinho.
Estão sempre a meu lado
Aqueles que de mim querem beber
Que de mim querem abrigo.

Despedaça-me em dós tê-los aqui dentro...
Famintos de carinho, carentes de atenção...
Esta pobre alma nem sempre sabe o que lhes dizer
Ou mesmo como lhes sorrir
Mas sei o que tenho para dar e isso me basta.
O fogo... o calor de um coração que ainda vive...
Basta-lhes um sopro!
Basta-lhes a mão que não consegue apertar
E saber que lhes sabe bem ter com quem falar.

RENATO MACHADO





terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Bom dia meu amor

Bom dia meu amor...
Onde fui hoje?
Não sei... onde estive eu não sei...
Como lá cheguei jamais saberei contar
Nem mesmo que eu queira contar as minhas aventuras
Poder rir de todos os perigos
Irá sempre faltar aquele detalhe...
E porquê?
O porquê é simples meu amor
És tu...
A razão da minha busca, a razão da minha perda.
Amanheceu e eu continuei acordado
Esperando o tempo passar,
Vendo as cores que entravam pela janela
Sem a tua cor entrar.
Porque me faltas tu
Aqui ao meu lado, junto de mim.
Queria eu acordar aninhado em teus braços
Sentir o coração bater-te no peito
Poder cheirar a tua pele...
Sei que caminhei... a areia branca, as placas de cimento
Procurei-te na espuma da rebentação
Em cada barco que cruzou a linha do horizonte.
De que me valeu escrever o teu nome no areal?
Foi-se... o mar o levou...
Faltas-me tu! Falto-me eu...
Falta-me tudo...
Tem um bom dia meu amor...

RENATO MACHADO


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Longe

Sinto-me perdido longe de ti...
Uma peça sem encaixe de um puzzle
Que nas tuas mãos parece não encontrar um lugar.
Sinto-me só... apenas só...
Preciso de ti, preciso tanto de ti!
Como vou acordar sabendo que não estás comigo?
O que fazer para suportar os dias sem te ver?
Estou no calor, mas o frio agora é maior
Se me falta aquecer o coração.
Sim, existe a voz, existe a tua foto na minha carteira...
Mas são apenas ilusões que tenho de ti...
Nutini já não me faz sentido
Quando não tenho o teu rosto para tocar...
Quero fugir daqui, estar contigo e ser feliz.
(eu não sou assim)
Quero sentir que continuamos a ser um só, ´
Carne e osso, uma alma, um corpo!
Preciso de ti... preciso tanto de ti...

Renato Machado


domingo, 15 de janeiro de 2012

Pássaro de Ferro

Tanto que ficou por dizer
Tanto que ficou para trás...
O tempo voa, e nós?
Ficámos cá em baixo
A vê-los passar...
Também nós tínhamos sonhos
(eu tinha sonhos)
A quando a memória não nos faltava...
Foram tantos os sonhos que te dei
As manhãs de inverno a teu lado
Sozinhos no meio de tanta gente
As ruas outrora foram nossas!
Ah como o tempo voa...
E nós?!
Nós ficámos aqui, sentados
Na fila de espera para o embarque
Rumo ao futuro.
Já viste que só cá estamos nós?
O tempo contigo voa...
O tempo contigo voava,
Tais sonhos de um passado sem promessa
De destino...
E nós?!...


Renato Machado

Dia Cinzento

Secámos...
Os pensamentos já não fluem
As palavras morreram no tempo
E nós? O tempo tudo levou.
Fomos feitos um para o outro
Na condição de nunca nos amarmos
Querendo sempre do outro amor...
Faltou-nos tanto!
E o que tínhamos nunca foi pouco
Para tapar as ausências de laços,
Para tapar o que não queríamos sentir...
Mas fomos tanto!
Tanto no vazio...
Tanto no silêncio...
Tanto no frio
Que mutuamente nos presenteámos.
Demos tudo o que havia para dar
E, por incrível, nenhum quis do outro receber.
Já falámos tantas vezes do tempo
Que nem esse tempo sabemos ao certo contar...
Sei que a culpa essa, é dividida em partes iguais
Mas desculpa se não sinto peso qualquer em mim.
Ficaremos bem
Se a nós mesmos conseguirmos resistir.
Seremos dois, um plural
Sem possibilidade de um novo singular
Seremos aquilo que queremos ser,
Mais um na vida do outro...
Mais outro na vida de um...
Mais de uma vida a dois vivida
Aquela vida à qual os dois nos atrasámos.

Renato Machado

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

RAZOÁVEL

Guardava para mim
Todas as alegrias que vivi
Por te conhecer e poder ver-te sorrir.
Tempos distantes
Onde a vida girava em volta do teu "eu",
Onde a minha esfera era a tua,
Em que eu era a esfera
E tu, eras tu...
Mas eu nunca te quis mudar,
Não, porque eu era feliz assim
Com o reflexo da tua felicidade...
A vida é isto
Quer-se da vida isto,
A felicidade!
Não me julgues mal
Nem tão pouco me julgues louco,
Sou apenas aquele que vive para ti
Sem querer esmolas,
Apenas a esmola do teu sorriso
Isso sim, é o meu paraíso.
Outrora sofri por estar a teu lado
E ser único, sentir-me um singular.
Outrora carreguei em mim a falha
Suportei a tua ignorância
Como se a minha culpa fosse a tua...
Tempos tão distantes...
Pensava que seria sempre triste por dar
Na tristeza de nunca receber...
Que foi feito de mim?
Noutros tempos vivi na sombra da tua sombra
Na escuridão da tua ignorância
Que tempo já tão distante!
E hoje?
Hoje estou bem, por te saber amar com a razão,
Estou bem por estar a teu lado
Sem te querer aparar os golpes...
Crescemos?
Eu cresci...
Tempos distantes.

Renato Machado

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O TEMPO PASSA

Julguei-te resolvido... sim...
Um problema arrumado lá no fundo do meu gavetão.
Mas não...
A tua postura
O teu cheiro,
A tua textura...
Resolvidos estão os meus medos
Mas nãos as minhas verdades.
 Outrora tinha tantos sonhos por realizar,
Agora o que tenho?
Nada, a crença é uma chama que não arde
P'lo menos aqui no meu centro...
Talvez arda no que me é alheio
Tudo porque continuas a existir!
Morre! Morre! Mas morre aos poucos
Para que eu vá morrendo a teu lado...
Que estúpido que sou!
Mas faria tudo de novo...
Sei que faria tudo de novo...
Por ti, faria tudo de novo...

RENATO MACHADO

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Águas que passam

Para quê guardar os passos que outrora dei,
Se o passado é passado
É coisa que não volta
E eu jamais te terei?
Para quê olhar para trás e recordar momentos vividos,
Ficar parado na pensamento
Do quão felizes poderíamos ter sido?
Para quê?
Foi bom enquanto durou,
Fui feliz com o que fui
Serei feliz com o que hoje sou,
Com o que a vida me ensinou...
Foi só mais uma página de tantas páginas por escrever...
Melhores dias hão-de vir
E eu? Acabarei por te esquecer.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Poema Nulo

No meio de tanta gente
Sinto-me muitas vezes só...
Porque a companhia de alguém
Pode ser tantas vezes a solidão.
Deus não é cruel! É professor!
Sempre vivi no meio da multidão,
Aninhado no meu mundo aspergo,
Na imaculada redoma envidraçada,
Que o falso autismo me ofereceu...
Talvez por me sentir só no que me é indigo,
Sim, talvez seja isso...
Deus dá-nos força para viver
Mas não nos ensina a sobreviver...
Ou lá quem seja que nos criou...
Deus é pedagogo
E eu ainda não estudei a minha lição.
Mas, afinal acho-me sempre feliz
Penso que vivo no mundo real
No meu mundo real!

Deus não é amigo, é Patrão...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Poema para uma Formiga

Ele esperou tantas vezes por um sinal
Que não queria chegar…
Ele teve medo de se perder na desilusão
De não poder ir mais longe que o sonhar…
Ele quis, cada dia um pouco mais, ser feliz a teu lado…
Ele quis construir um futuro,
Pensando apenas na tua felicidade
Colocando-se no passado.
A felicidade que tantas vezes lhe falaste…
Mas que nunca lhe mostraste.

Porque ele só deu, de ti nada recebeu
Ou pelo menos, aquela recompensa tão querida…
Não tinha que ser
A vida é feita de coisas por acontecer.
Mas ele amar-te-á até ao final
Fará de tudo por ti…
Uma coisa é certa:
Serei sempre um sinal,
Não te culpes se um dia entenderes que gosto de ti.
Eu sou o único culpado
Que a minha pena é amar e não ser amado…

sábado, 1 de outubro de 2011

Espaços

Que é este meu infinito,
Meu pequeno mundo feito de infinito…
Que mundo este com tamanha dimensão,
E eu? Sou algo tão pequenino,
Tão pequeno como a pequenez que julgo ser
O meu infinito,
O teu infinito…
Pequenos são os olhos daqueles que se fecham
Ao assombro que é ver tamanha da imensidão!
Os meus olhos vão-se abrindo
Devagar, um raio de luz de cada vez,
E a luz vai entrando
E a razão vai surgindo…
E a razão vai sorrindo…
O meu mundo é um grande infinito!

Porque a imensidão tem as portas abertas
Para aqueles que da sua passagem querem usar.
E que imensidão! Que lugar!
Neste pequeno mundo infinito,
O meu sopro soa como um grito…
A vastidão, o infinito
Que nos meus olhos se reflectem,
Os horizontes do infinito.


Renato Machado

sábado, 2 de julho de 2011

Queda

Ainda tenho mundos por tocar
Mas eu não estou.
Não me encontro em mim,
Não me encontro nos lugares que costumo estar...
Estarei em algum lugar?
Estarei perdido por aí,
Enrolado numa folha de jornal que alguém se olvidou?
Isto, porque não sou inolvidável,
Tantas vezes me sinto discartável,
Como um placebo ali mais à mão...
Que estranha sensação...
Palavra que se aloja num roda-pé,
Que por ser de pequeno tamanho
Pareço tantas vezes ter em mim aquilo que não o é...
Tudo em mim é estranho,
Tudo tem uma razão
E eu pareço não ter razão de o ser...
Talvez me falte viver,
Quem sabe por onde devo mais crescer.
Medo? Temo-me todos os dias,
Quando o mundo vem, e eu não estou cá.
Seja o que de mim se quiser,
Irei onde puder
Se alguém me empurrar para lá...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Adele (vivendo em mim)

Talvez fosse um engano
Ou eu…
Talvez fosse uma certeza…
Nada me faria ver que estávamos errados
Que os verbos estavam mal conjugados,
Nem eu…
Faria isso de ti, mais humano?
Seria eu o bom samaritano?
Já nada disto tem beleza
Apenas letras e mais letras… uma frieza
De quem deixa para trás
O que de si morreu,
Quem sabe se fui eu…
Mas já não quero procurar que mal me fiz
Nem quero culpar alguém p’lo meu fracasso.
Anoiteceu…
Acho que só me falta dar este passo
E o final? Alguém por mim o diz…
Já está, aconteceu…
Não digas palavras que não queiras dizer
Que eu não direi aquilo que não queres receber.
Mágoa… já passou…
Quem é que nesta vida nunca errou?
Sou poema em constante correcção
Pois sou de carne e de razão,
Tenho sentido e tenho coração
Foi o que nos calhou, o que alguém nos deu,
Para que esta vida fosse uma confusão…
Sim… acho que fui eu…
Tudo isto se sucedeu…
Tudo isto foi uma paixão.



Renato Machado

terça-feira, 10 de maio de 2011

Adele (pensando em ti)

Jurei nunca mais cair
E tu... voaste por cima do meu juramento.
Fizeste o teu ninho sobre o meu corpo tombado,
Como se eu fosse um rochedo cansado de existir...
Vi-te crescer e despegares-te de mim,
Momento a momento.
Em mim, o teu ninho não apanha vento
(sabes que sempre te darei sustento)
Porque mesmo no chão, derrotado,
Farei tudo por ti.

Seria pedir demais, pedindo o teu amor,
Como seria demais pedir que te afastes de mim...
Parece que o teu ninho
Para todo o sempre em mim ficará,
Resta saber que vidas ele nos trará...
Já que para ti, eu só quero o melhor.

Mas se um dia o vento, o teu ninho soprar,
É entre um Sim e um Não que eu vou balançar.
Tal como eu, tem vezes que mereces cair,
E a paga será o meu desamparo...
Se eu puder, sobre ti eu disparo,
E aí verei se é contigo que me vou socumbir.


Renato Machado

sábado, 23 de abril de 2011

Aniversário

Aniversário...
Fiz planos de ser feliz,
Planos de passar a barreira do amarelo.
Juntei forças, arranquei-me da raiz
Quebrei em mim o já criado elo,
Tentei fugir do meu armário...
Mais um aniversário...
Os sonhos fazem-se de querer ver o depois,
De deixar para trás tudo aquilo que já se fez.
Onde estou eu? num triste vinte e dois
Sem futuro, a não ser um descrente vinte e três...
Não quero o sossego do meu armário
Terá que ser... mais um aniversário.
Ter, não tenho nada, nem parece que o vá conseguir.
Pelo menos, o hoje é um quadro vazio,
Uma tela que poderia ter riscos, tantos traços,
Mas eu nem sequer tenho abraços
Nem regaços...
Só tenho espaços,
Pequenos mundos onde tudo é frio,
Mundos de onde eu não consigo sair.
Lá vem mais um aniversário...
Quando já nem tenho calma para aquilo que me é diário,
Quando já não suporto o peso deste escapulário,
Vem o peso de mais um aniversário...
Queria eu acreditar que me faço de um amanhã,
Que tenho um lugar que só comigo será lugar...
Mas a luz celeste é coisa de quem tem a mente sã
E eu já não sei em que parte de mim acreditar...
Só não quero ter que viver um aniversário
Ou então, fazer anos mas ao contrário!
Sentir-me criança, em estado primário,
Quando tudo era bom
Até o dia do nosso aniversário...

terça-feira, 29 de março de 2011

Igualdade de Palavras

Há palavras feitas para se aplaudirem de pé.
Outras que nem se querem ser ditas,
Há quem diga que são malditas…
Pessoalmente, detesto essas betas, benditas,
Querem fama, acham-se eruditas…
Há filhas e enteadas, mas é!

De quando em vez, solto-lhes as rédeas
Dessas desgraçadas sedentas de liberdade.
E lá vão elas, a alto e bom som
Um “foda-se!” que é do bom,
E sacia cá dentro qualquer traço de ansiedade.

Mas não… aqui não se quer calão!
Só palavras clássicas, elegantes, gentis…
Que fizeram as outras coitadas
Para me responderem no momento imediato
Ao soltar estas mal-amadas
“Isso não se diz!”?

Cada qual tem o seu lugar…
E se alguém por interesse, no mundo as botou,
São então para serem usadas por quem cá ficou…
E se busco a melhor palavra quando procuro figurar,
Que jeito tem dizer “arre” ou “irra” quando me estou a passar?!


Renato Machado

quarta-feira, 23 de março de 2011

Tu...

Tu, o que és em mim?...
És o vento que fica por me soprar…
A velha árvore que fica por me morrer,
Aquela história que fica por me contar,
O rio que desce, e não mais há-de subir…
O sorriso que deixei por te sorrir…
És a metade de alguém que ainda não te descobriu
Ou a metade de alguém que nunca existiu…
A frase que fica por terminar
Por não ter mais vontade de to dizer,
Ou quem sabe, o dia que há-de chegar,
Ou o dia que ficou por acontecer…
És o frio que a espinha não se me arrepiou
Ou o fogo que não senti, aquele que em mim não crepitou…
Pena não seres nada que viva em mim
Nem nada que eu queira vivendo em mim…
Sou feliz assim… por não seres vontade em mim…
Apenas curiosidade… imagem sem prezas de verdade
Ou qualquer pingo de amor, ou tão pouco lealdade…
Não… em mim não és nada
Nada que mereça o esforço de chorar,
Tal como o pó da estrada
Que a gente sacode para outro dele se sujar…



Renato Machado

domingo, 20 de março de 2011

Apontamento

Contará tudo como sendo verdade
Sim… Não haverá desilusões nas palavras mentidas
Tão pouco sofrimento naquilo que ficará por dizer…
Para quê amar o que nos amarra com tanta ferocidade,
Que tantas vezes nos rouba a dignidade,
Apenas porque somos humanos,
Apenas porque somos moldados por enganos,
Apenas porque a nossa condição é sofrer?


Renato Machado

terça-feira, 15 de março de 2011

Memórias de um Paulo...

Paulo… Paulo era fogo, era paixão!
Era verde florescendo, o vermelho… o amarelo!
Paulo era uma explosão de sentidos
Um cocktail de sentimentos nunca vividos
Ou quem sabe, já perdidos…
Havia ternura, havia solidão,
Havia um pouco de mar, terra, ar!
Havia a sua alma, havia onde se aninhar…
Havia o belo… Paulo era um castelo!
Era brilho de prata e ouro
Num pedaço de latão…

Paulo fora passado, Paulo queria ser futuro…
A aventura, a luz no escuro,
A paz, a alma, o inferno,
Um momento fugaz
Um olhar que nos queima e que nos trás
O efémero do eterno…

Tudo se acabou,
Já cá não está...
Deus tira-nos o que tantas vezes nos dá...
Memórias de um Paulo
Que ao meu mundo não tornará...
Seu coração se fechou
Adeus amigo... para mim, a tua vida se findou...


Renato Machado

quinta-feira, 10 de março de 2011

Poema para uma pedra

“Uma pedra só é pedra
Se pedra esta sonhar vir a ser…”
Pobre pedra se pudesse,
Se outro mundo para si houvesse
Não seria pedra, apenas por ser pedra,
Nem que por pedra tivesse de se escolher…

Pedra não é pedra por sua ambição.
Não. Coitada, pedra do chão, sempre pisada…
E fosse ela pedra de altar,
Ou pedra gloriosa de um monumento qualquer…
Mas não… Pedra é pedra de chão!
Calçada cinzenta que se pisa sem se ver,
Pedra enquadrada no seu quadrangular…
Pedra livre presa ao chão… pobre Pedra abandonada…

Lá está ela mais que conformada
Será pedra que ali viverá
Até outra pedra em seu lugar ser tomada…
Pedra, é o teu destino!
Quem p’ra o teu corpo olhar
Verá pedra, mas não a Pedra, a pedra sem história
Pedra sem memória
Pedra que é pedra, e que pedra é o seu destino…
Pedra, serás pedra e terás que o suportar.

Deixa estar Pedra… o teu corpo é imortal.
Quem te pisa, pisa vezes sem conta até se esgotar
Mas tu ver-lhe-ás passar…
E tu, pedra, para o mundo estarás sempre igual…



Renato Machado

quarta-feira, 9 de março de 2011

Escureceu

Escureceu...
A torre iluminou-se de pirlilampos
E eu fiquei olhando para o vazio.
Fiquei esperando que me enchesse de frio
Talvez tenha ficado na esperança de me ver...
Escureceu...
As paredes brilharam em escarlatadas danças...
E eu vi o mundo, todas as memórias
Todas as minhas histórias,
Todas as minhas lembranças...
A luz desfez-se num único fio.

Pirilampos dançaram em meu redor
E a torre sorriu para mim.
Fui tão feliz!
Fui o eterno, fui tudo o que sempre quis,
Num segundo, o meu melhor
E o pior que possa existir...
O vazio que me fez rir,
Escureceu, e eu passei por mais um fim.
É noite, sou a noite, sou assim.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Londres

Serei palavra em qualquer parte
Serei memória daquilo que pretendo ser?
Não faz mal, o que me importa é estar comigo
O que me faz feliz é saber que tento
Que vou onde me leva o vento
E que no fim, sou aquilo que de mim consigo.

Serei palavra em qualquer parte
Serei o mundo que espera por me ter?
Basta-me apenas sentir-me a seguro
Do sonho que outrora me visitava
E que pelo meu nome tantas vezes clamava...
Talvez seja eu que o sustento, que o procuro.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Quarto-crescente

“Leite que é bom sempre acaba”
Dizia mãe gata no desespero…
Minha mãe dava-me doces,
Meu pai trazia-me espuma,
E eu era um projecto de gente sonhadora…
Só não vi Nossa Senhora
Nem incenso nem caruma,
E se não fosse o galo cantar
Estaria ainda sentado na estrada,
Com uma mala por vazar
Repleta de pedaços de nada.

Faz tempo que sei que a lua é mentirosa…
Mas sarilho é o negrume que se nasce no dente.
(Salomão bem o sabia.
Mas sobre tal estória nada se ouvia
Dizer que cruzar bem com o mal,
Era abrir guerra com o imortal…)
Pior foi o desabrochar do dia!
Quantas batalhas quiseram que se fossem lutar
Para que de forma leve e airosa,
Nascesse sem espinhos uma única rosa…
Faz tempo que sei o quanto a lua é mentirosa…

Apressou-se a pressa com medo de se atrasar,
Amedrontada de não se ver morrer.
Eu estava lá e nada vi!
(mas eu cá sou assim…)
Nada se deve dever nada
Por dever de um devedor.
Vou acabar por viajar
Ou então pernoitar, acabando por adormecer.
(já a farda está passada
Só me falta um condutor).



Renato Machado

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ilha a Norte

Tem vezes que me pergunto
Porque não me dou por vencido…
Outras tantas que passo a palma da mão
Naquilo que intitulo de consciência,
E firmo o corpo, levanto o rosto,
E sigo para aquilo que é a minha frente.
Ao certo, nunca fui de me redimir,
Mas também nunca fui de o fazer, de o conseguir…
Ao certo, nunca fui um alvo abatido,
Mas também não vou jurar que já não o tenha sido…
Por tantas vezes me perder,
Por tantas vezes me deixar vencer,
Não significa que em mim não haja persistência…

Que se aloje em mim a pedra e a cal
Que me hão-de sepultar,
Mas não posso crer que seja esse o mal
Que me há-de findar…
No fundo sou uma árvore
Que em pé sucumbe, em pé se seca,
Que morre hirta e gloriosa
Porque ao morrer, nunca mais peca
Por se sentir aos olhos alheios vitoriosa.
Árvore morta que se ergue para tocar o céu
Para mostrar ao mundo, como o mundo já foi seu…

A persistência vive enquanto eu viver
Enquanto por mim estiver disposto a lutar
Enquanto vir ao longe o que posso vir a ser…

Da morte também se faz vida,
Do chão também colhe coragem.
Do medo nasce a despedida
E de mim vem a procura, de mim vem a viagem…


Renato Machado

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Uma moeda no chão

Não quero ser nada de tudo aquilo que sonho ser,
Nem mesmo quero ser alguém
Que comigo queira viver.
Não me quero aqui, nem mesmo em toda a parte,
Nem que o meu ser seja de suprema arte.
Sou todo o mal e todo o bem,
Sou aquilo que me falta e o que não me convém,
Sou parte de um todo, sou totalmente vazio,
Sou o calor que me acolhe e o próprio frio…
Para onde vou? Sei que em mim não estou…
Porque não sou um rio?



Renato Machado

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Quando chove em mim

Quando chove em mim
Só a alegria diz “ ninguém me vence!”
Quando chove em mim
É um trás para a frente
A vida sobe a montante com a corrente
Um rebobinar, um anti-fim
Pois a minha alma, só a mim me pertence.

Quando chove em mim
Não há quem me faça entristecer.
A chuva cai, lava-me
Olha-me e, nos seus braços me acolhe.
(É água-mãe que o filho não escolhe.)
Quando chove em mim
Parto rumo à alegria e ao que der e vier.
Vem chuva! Ama-me!
Trás a mim o que sempre quis
Chuva fresca faz de mim o teu aprendiz!

Quando chove em mim
Sou poema que se dá por terminado
Um sonho limpo, imaculado.
Quando chove em mim
Não quero escutar quem quer que a chuva cesse.
Quero a chuva que a minha alma arrefece.
Quero a chuva que cai em mim
E faz da alegria a minha morada.
Chuva alegre vem ser o meu fim.



Renato Machado

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Reflexo

São pequenos passos sem destino
Sem alma, nem a previsão futura de a querer ter.
(diz-me que não sou como tu)
Salto entre o planeado e a ocasião,
Para não receber o beijo que tanto quero receber.
Talvez por não querer ter um destino
Sabendo que hei-de cumprir, aconteça o que acontecer.
(diz-me que não sou como tu)
Passo palavra dentro do que ainda me conheço
E dizer-me que sou o contrário de um não,
Que afinal sou mais de ocasião,
E quem sabe o quanto me mereço…
A felicidade tem sempre um preço?
(diz-me que não sou como tu)
Já me dei conta te tanta coisa feita ao acaso,
De declarar medos que nunca senti,
Apenas por não querer seguir aquilo que é meu.
Apetecia-me ser alguém que em mim não se cruzou,
Alguém que desejei, e nem sequer me olhou…
Foi para isto que cresci?
Talvez a minha missão é viver com este “eu”…
(diz-me que não sou como tu)
Deixem-me apreciar este pequeno momento
Disso sim, tenho medo que se vá findar,
A incerteza tranquila de ser quem sou, não sendo eu
Não me querendo como lugar…
Quem sabe o que dirá de mim o vento…
Quem sabe onde ele me irá levar…
O que sou, nunca morreu,
Nem morrendo, o vou enterrar.
(talvez eu seja como tu)


Renato Machado

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Autonomia (auto-questão)

Esquece as verdades,
As razões,
Os medos e até as certezas.
Está tudo feito na tua medida
Ergonomicamente pensado para ti.
Vais falhar, e que mal tem isso?
Esquece os tons harmoniosos e as bondades,
As paixões
Os corações,
Os segredos humanos e as tristezas,
Vai falhar, vais perder, portanto sorri!

Esquece quem te encorajou a ser feliz
Incitando-te ideias pré concebidas na moral e no “bem maior”…
Crê no teu querer
Na força apertada que quer falar
Gritar
Poder se expressar
Através de ti, o teu ser.
Acredita apenas naquilo que o teu coração te diz…
Esquece as vozes em teu redor.

Procura em ti o que queres realizar,
Sê a persistência de quem luta, cansado de lutar…
Sê tu mesmo, encontra o teu lugar,
No teu coração, noutro coração…
Estarás onde te querem, onde se aconchegam na tua recordação,
Onde quiseres
Onde entenderes o verbo respirar.

Ou então não…
Lembra-te que cada mundo tem a sua razão,
Um destino, uma missão…
Nada é garantido
Apenas testado, acreditado, seguido…
Mas faz o que quiseres, seja qual for a tua auto-questão…



Renato Machado

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Isto da poesia… tem coisa que se diga...

Tem coisa mais estranha que a palavra?
Encontrar rima onde não existe…
A gente junta palavra com palavra,
É um caça-palavra!
Credo! Cristo!
Que esta rima persiste…
Nunca tinha visto disto,
Onde já se viu rimar sem ligar ao sentido?!

Talvez o dicionário, dele a tenha varrido…
Será que encontro tal léxico por aí perdido?
Vou mas é pensar no que hei-de escrever,
Uma palavra curta de tamanho menor
Ou palavra alongada de tamanho superior?
Alguma coisa há-de ser.
Devo eu desistir
Ou continuar até finalmente me sair?

Esta coisa das palavras é cá uma trabalheira…
Porque não posso eu escrever poesia à minha maneira?
Vai na volta se rimar, rimou!
Se não der…olha… paciência…
É apenas poesia, não requer muita sapiência.
O que está escrito, escrito está…
E mais escreveria se mais léxico houvesse
E até mesmo se mais linhas eu tivesse,
(Claro está)
E assim termino um poema que não começou.



Renato Machado

domingo, 7 de novembro de 2010

Viagem na companhia da Dor

Não sei o que me dói
Onde me dói,
Nem quando me dói,
Apenas sei que é dor que grita dentro de mim,
Dor que quer ser alguém, dor que quer viver para lá de mim.
Esta é a minha dor, eu sou a dor,
Dói tanto, mas nada digo, porque tenho de ser assim…

Dói mais a alegria que tento extravasar,
Os sorrisos esboçados que não saem de mim
Que vieram de outro lugar.
Dói mais os momentos de agitação e felicidade
Porque sei que esse não sou eu,
Apenas um corpo que Deus me deu,
Não me quero assim para minha verdade,
Dói tanto, mas nada digo, porque tenho de ser assim…

Não dói quando choro com gosto,
É como um calor de um fogo posto
Que acalenta esta alma sedenta de paz.
Sou eu se a tristeza não me dói
Se a bondade não me corrói
Se o que o tenho hoje, fique pelo caminho,
Para que possa ir sozinho
Sem saudades do que fica para trás.

Dói tanto, mas nada digo, porque tenho de ser assim…




Renato Machado

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Poligamia

Escrevi-te na minha carne,
Apertei os laços que ninguém vê
Mas que só a gente sente.
Deixa-me sentir-te,
Deixa-me sorrir-te…
Não dói mais (parabéns a você…)
E sobrámos nós,
Tanto silêncio num olhar sem voz…
Mistura-te em mim
Faz da festa uma carnificina!
Do meu palco, a tua sina,
No tempo de Columbina e Arlequim…

Mas só a gente sente,
Só a gente recusa a mão na hora de amar
Só nós temos coragem de viver em pleno
Fazer de um solo, uma plateia vazia, um sereno…
Um passo a passo inconsciente,
Eu sou eu, tu és tu.
Na minha carne, a sangue frio, a cru…
Meu bem, estamos cá para ficar.

Eu sou eu, tu és tu.
Jogo limpo, tanto corpo nu.
Vai onde tens que ir
Eu irei onde ele estiver, onde ele surgir
Porque não somos de ninguém
Nem a nós nos pertencemos…
Não vale a pena, não venceremos
É liberdade sem custar um vintém.


Renato Machado

sábado, 2 de outubro de 2010

Aos meus seguidores e a todos os visitantes.

quero anunciar a todos aqueles que gentilmente visitaram durante este ano e 4 meses que, Outubro de 2010 será o ultimo mês que o blog la vie en rose vai ter algum post novo. desde já, muito obrigado a todos, cada comentário fez-me reflectir e progredir na minha escrita. vou ter saudades, mas o blog não esta a ter a visibilidade que eu esperava e o meu sonho de poder levar a minha poesia mais alem não aconteceu.

ate à proxima meus amigos

Renato Machado

ps: de qualquer forma não irei apagar o blog, estará sempre visível

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

No teu Corpo

No teu corpo desenhei um coração
Bem grande, tão grande!
E no teu corpo mergulhei…
No teu corpo adormeci,
No teu corpo vivi…
No teu corpo sonhei
Sonhei que o mundo era belo
Sem precisar de perfeição.

No teu corpo não existe tempo em vão.
Bem grande… tão grande!
Tomara que o tempo pare,
Tomara que o tempo não passe, não ande!
Para poder ficar sempre junto ao teu corpo
Para poder ser o teu corpo…
Para nunca mais te dizer não.

Tomara que não seja tudo imaginação
Que tudo não passe de uma singela ilusão…
Quero o teu corpo…
Um corpo inteiro, imperfeito
Quero-o assim desse teu jeito
Quero o teu corpo…
Quero fazê-lo poema, quero torná-lo canção.

Adormece o teu corpo em mim
Para que nunca mais queiras acordar.
Corpo morto, prestes a se desfalecer, a se acabar…
Há sempre um cais onde te podes ancorar…
E talvez seja eu o teu fim.


Renato Machado

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tudo isto me dói

A tua saudade tem nome de futuro,
Tem vida feita no passado…
Porém mora no meu agora, no meu presente.
A tua saudade é tristeza encurralada para lá do muro,
É sentimento que persiste e eu não o censuro,
Uma muralha que me esfuma a mente,
Desaba sobre mim cada vez que se a sente…
É p’la tua saudade que todos os dias sou visitado.

Falta-me a tua grandeza e a tua pequenez,
O olhar-te, ver-te, sentir-te cada vez que penso num “talvez”…
Falta-me a tua presença que ardia em mim,
O querer estar presente onde não estou,
Porque tu lá estás e contigo, parte de mim ficou…
Esta é a tua saudade, que não me mata
Mas deixa-me assim,
À beira do abismo, da salvação, do fim.

Tudo isto me dói por te sentir saudade,
Por me sentir vivo, mas incompleto.
Por me ver por dentro e achar-me um ser obsoleto…
Tudo isto me dói por ser apenas uma metade.





Renato Machado

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Obrigado

Obrigado por não estarem lá
E agradeço-lhes por não me terem dado a mão.
Obrigado por nunca estarem cá,
Pelas vossas costas que a vida me dá,
Mas sobretudo, obrigado p’lo carinho e atenção…

Não, moro aqui na porta ao lado,
Na porta escura que passam sem olhar…
Por todos os pilares que não me deram, um “obrigado”,
De todo o coração, um agradecido “obrigado”,
Que a vida vos dê sempre uma boa lembrança
Um rasgo de esperança
Que vos faça de mim lembrar.

Tenho flores que a todos carinhosamente irei oferecer,
Flores brancas tal como a cor da minha luva.
Obrigado, a todos gostaria de agradecer
Jamais de alguém irei esquecer,
Pois não é por não se apreciar
Que a gente esquece o incómodo da chuva…

Estão todos aqui, enterrados nas catacumbas do meu coração.
Descansem em paz meus amigos.
Nos vossos caixões imaculados,
Feitos de madeira forte, da árvore da recordação.



Renato Machado