sábado, 13 de março de 2010

SKINY JEANS

Vem beijar o meu corpo num segundo,
Vem dar-me a vontade de querer parar o espaço temporal,
Vem viver o momento…
Apenas dois desejos… um só desejo… um eterno momento!
Já nem sinto saudade, nem pressa de chegar ao mundo.
Acordar? Seria sofrimento!
Quem sou eu para querer tal tormento,
Se o que desejo, é no fundo,
O teu pecado original?

Vem bailar naquilo que é meu,
Como se a vontade de o realizar falasse mais alto que a fome!
Porque é fome de alma, fome do que é teu…
Fome de prazer, fome de ser feliz!
Que tem mal na alma quando a verdade assim o diz? …
Quem não quer ser feliz?
Quem não quer aquilo que sempre o quis?
O diabo leva a alma desamparada, que na secura a consome…

Vem… beijar meu corpo no passar das horas,
Vem dar-me sabor ao insonso que é o meu gosto…
Vem olhar-me de azul o meu castanho…
Vem ver como um segundo é belo, de seu imenso tamanho!




Renato Machado

quarta-feira, 10 de março de 2010

Não o fales em inglês

Calma… não carece de pressa.
Passo a passo, devagarinho,
Tudo se faz, tudo tem a sua vez…
Hoje a palavra que se confessa,
O olhar roubado quando teu corpo me atravessa…
Mas não o fales em inglês!

Não digas palavras para a qual não tens um sentido,
Diz-me o dia-a-dia,
Uma palavra vaga… para mim já é alegria!
Um sorriso… uma expressão…
Pouco a pouco… o meu coração!
E sem o perceber, ao teu encontro, terei sorrido.

O mundo não acaba amanhã…
Toca nas pequenas maravilhas da aventura!
Toca em mim, toco em ti… será ternura…
A felicidade no pecado dentado na nossa maçã.



Renato Machado

segunda-feira, 8 de março de 2010

Carta ao Amor

Hoje apeteceu-me dizer que penso em ti… tem dias que acordo contigo no pensamento mas, nem sempre tenho coragem de o admitir.
Há dias que anseio pela tua imagem no meu pensamento, desejando até que aquela imagem móvel, mas muda, diga aquilo que naquele momento quero ouvir. Mas a tua imagem não fala…ou pelo menos eu não consigo que a minha imaginação vá mais longe que isso. Talvez nesses dias, deva pensar com um pouco mais força… talvez assim resulte. Nesses dias quase que sou feliz sem o saber…
Tem dias que o que menos desejo é ter-te no meu pensamento! Irra! Tudo aquilo que me faz lembrar de ti, tudo aquilo que olho, toco, ouço ou simplesmente sinto, dá-me uma tremenda vontade de partir, de despedaçar! Mas evito. Então fujo para bem longe, para um sítio calmo onde haja algo que me faça mudar de ideias. Nesses dias assim, tenho medo de mim, medo do que faço ou deixo de fazer. Sinto-me inseguro, sem certezas de nada! É nesses dias que para mim és somente uma dor de cabeça que teima em não se extinguir.
Outros dias, penso em ti como se fosses um “pensamento do dia” que toda a gente escuta sem tomar a devida atenção. Ando descansado, sempre contigo lá no fundo, no lugar mais refundido do meu pensamento, que me faz nem sequer perceber que lá estás… mas estás por lá! Quando isso me acontece significa que estou completamente tranquilo, comigo, contigo, com todo o mundo à minha volta. És como uma canção que antes me fazia companhia nos testes de geometria…
Naqueles dias em que sinto um vazio por dentro, uma estranheza, uma leveza na mente, apercebo-me que ainda não te dei a devida atenção. Então, lá ando eu muito preocupado, com medo de te poder esquecer por alguma eventualidade. Ando feito uma barata tonta que não sabe o que faz, que, com tanta tarefa, acaba por confundir e baralhar as ideias… nesses dias andas perdido entre as compras do supermercado e o lembrete de aniversário de alguém…200g de queijo…tu…aniversário da Rita…tu… pagar a conta da luz deste mês… tu… sempre assim. Quando esta confusão acontece (curioso…), chego ao final do dia com a sensação de auto-controlo, que sou capaz de coincidir tudo, de segurar todas as pontas. Sinto-me responsável, capaz de te ter a ti e ao resto da minha vida.
Hoje, logo hoje que arranjei coragem de admitir que penso em ti, decides por capricho que, não queres ser mais que um pensamento! Mas se já me és familiar, já fazes parte do meu dia-a-dia (é que não há um único dia que não penso em ti pah!), já que fui capaz de admitir coisas que me embaraçam…desculpa, mas não vou deixar a tua ideia para trás só porque tu decidiste por teimosia que, pensamento é pensamento e, realidade é realidade!
Vou continuar a pensar em ti, quer tu queiras quer não…quer tu existas, quer não!




Renato Machado

sábado, 6 de março de 2010

p'ra fugir da rotina de poemas...

Reparem bem neste pequeno diálogo que no outro dia surgiu dentro da minha cabeça…

- No outro dia dei por mim a pensar em coisas que tenho saudades…
- Ah sim? E o que foi que te lembraste?
- Olha… tanta coisa! De jogar ao berlinde por exemplo!... De coleccionar os cromos e não comer os Bollycaos… tenho saudades daquele ano que íamos para a escola e ainda o sol não tinha nascido… lembras-te disso?
- Não. Era muito pequeno nessa altura. Só o sei porque tu já me contaste isso, dezenas de vezes!
- Pois é, marcou-me… e tu?
- Eu o quê?
- De que é que tens saudades?
- Sei lá… nunca pensei muito nesse assunto. Mas agora que falas nisso…acho que tenho saudades de ser criança… principalmente, tenho saudades das vezes que ralhavas comigo…
- Saudades disso?! Porquê?
- Sei lá eu… não sei, mas cada vez que penso naquele tempos, fico com um aperto bom no coração. Fico feliz… não sei explicar bem, mas não época, eu ficava triste cada vez que ralhavas comigo, mas hoje entendo essas atitudes de outra forma. Então fico feliz ao perceber que naquela época era protegido.
- Quê? Ficas feliz só porque eu ralhava das asneiras que tu fazias? Tu não regulas…
- Sim! Que queres tu que eu faça? Naquele tempo era livre e não tinha responsabilidades. Apesar de fazer as coisas mal e levar raspanetes por isso, tudo acabava bem! Lá vinhas tu e resolvias o que havia p’ra resolver…
- Então, mas hoje és crescido! Já tens idade p’ra saberes cuidar de ti!
- Eu sei! Por isso é que tenho saudades! Sabes, é que quando somos pequenos, dependentes, queremos mais é que o tempo passe depressa! Estamos sempre a disparar: “nunca mais faço 18 anos!”… mas quando chegamos lá e vemos que estamos por nossa conta…
- Isso é verdade. Mas a liberdade tem tanta coisa boa…
- Mas não tem aquilo que me faz ter saudades de ser criança…
- O quê?
- Ora esta! Já disse! Tenho saudades de me sentir protegido! A liberdade, e dizes bem, dá-nos muitas coisas boas: uma vida pessoal, a nossa independência, a tal vida longe dos pais… saímos do mundo que sempre conhecemos e entramos num mundo completamente novo! Apesar de tudo isto, tenho saudades de poder cometer erros e ser perdoado, saudades de ter aquele porto de abrigo…
- E na liberdade também o tens.
- Sim, também. Mas aí passamos nós também a ralhar com os outros porque passamos a ter o tal sentido da preocupação… começamos nós a ser o porto de abrigo de alguém…
- Essa conversa parece-me um tanto ou quanto egoísta.
- Talvez… mas acho que é, principalmente, medo de crescer, de perceber que na minha vida, mas tarde ou mais cedo, terei que lhe tomar as rédeas, percebes?
- Cresce…
- Está bem. Irei crescer quer o queira, quer não… mas por favor, nunca deixes de ralhar comigo!





Renato Machado

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Nato

O meu tempo,
Leva-me no tempo…
Leva-me nas dores de quem me fez…
E o sofrimento…
Não tanto como um tormento,
Mas o grito do fado que tenho em minha pequenez…

O vagar que passa a correr…
O sino que toca dentro da minha cabeça….
E tudo começa!
O longe que passa raspando bem perto,
A confusão de gente no meu deserto…
E tudo em mim está pronto a nascer!

O meu mundo teima em me expulsar,
O queimar…
A luz que a dor estreita me oferece,
Meu corpo quente, de estranheza, arrefece…
As mãos que me tocam em novidade,
O choro impõe-me a voz…a realidade!

Nasci!
Não sei quem sou,
O que sou…
Onde estou?
Vou ficar aqui….




Renato Machado

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Luz de Sol

A luz que me entra é bem-vinda
Como o beijo quente de minha mãe no meu rosto.
Suavemente acaricia o que dorme em mim,
E brinca, faz cócegas, sorri iluminada!
Esta luz mais amada…
Toca-me no refundido que vive (ainda…),
E sinto tudo o que antes sentira com um novo gosto.

Quando nasce em mim, sorrio de esperança
E sorrio de saudade quando ela me esquece,
Mas amo o brilho da pureza
O dar sem receber, a voltar a dar com gentileza…
A luz da estrela mãe aconchega-se na minha lembrança,
Porque a luz é luz, e tem luz como sua riqueza!
Na sua ideia, o meu corpo se aquece!

É por isso que amo a palavra “Sol”
Ama-me, aquece-me, abraça-me, expludo de vida…
Quando a escrevo com o meu magenta
O conforto que me acalenta,
É calor amado na minha mente,
Todo meu corpo o sente,
Consumindo cada momento, tal como uma despedida.






Renato Machado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um Pouco Winehouse

Aqui… por dentro,
As almas dançam no silêncio do som.
Exaltam o peso de mim em mim,
Exaltam a teimosa força de ser um dom…
Os perfumes… as formas… as luzes…
O vazio de um centro,
O desenho das cruzes,
Plantadas num horizonte sem fim…
Quadros que decoravam os meus pensamentos,
Quebraram amores com a beleza,
Quebraram pactos com a verdade…
Mas mentira…não existe… Lealdade!
Porque não me vence, nem luto pela incerteza
Mãe de todos os meus tormentos.
E quem consiga ver o meu coração
Que me diga onde o posso resgatar.
Por favor…Palpita-me oco o peito,
De jeito tosco…sem jeito…
Desajeitado, moribundo sem pressão…
Desesperado sem saber onde descansar…



Renato Machado

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A Mais Bela Verdade

O meu nome… ninguém o diz…
Amando o infinito, na mentira sou aprendiz…
E na mentira, consigo ser feliz.
No jogo de palavras, vinco a minha raiz…
Ah! Eu sou feliz!
Sei viver com este meu desalmado coração,
Talvez não seja viver… mas morrer, não!
Talvez seja uma luz que tenho a acender…
Aquele pequeno ensinamento a reter…
E sou assim, em mim sou feliz…

Não me detenho na hora de errar,
Vou em frente, porque vou errando.
Na mentira, o meu erro vai-se acertando,
E mal ou bem… hei-de lá errar…
Se eu ao menos não pudesse amar…
Se eu ao menos pudesse existir…
Se eu ao menos pudesse desiludir…

Tenho inveja da vida que a vida não me deu,
Tenho…
Por isso, desenho-a…
Em mim, retenho-a…
A força que o meu ser não escolheu…




Renato Machado

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Por Ti

Como a chuva que traz de novo a vida,
Sou um sopro fresco de esperança,
Sou a saudade que já vai morta…
Sou um sorriso que te entra pela porta,
E se aconchega na tua face desiludida.
Sou o que quiseres na tua vida,
Um demónio que infringe a aliança
Ou o rasgo de luz prevendo a bonança…

Sou tudo aquilo que me deixares ser,
Amando…
Respeitando…
Flutuando… serei luz que vem suavemente se vincando,
O mais sincero amar que exista no verbo viver.
Sou a sorte de realizar o teu mundo iludido,
O gole de sabedoria que te ilumina a mente…
Sou gente…
Sou humano por ti…
Até nas forças que me são alheias, me faço erguido.

Sou…fui… talvez o serei…
E com isso apenas, me contento.
Com o teu existir me alimento,
No teu respirar me invento…
Por ti… um dia serei…


Renato Machado

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Estranho-me...

Nem me sinto triste…
Nem me procuro nos recantos da solidão…
Não… se o meu ser, em mim existe,
Se nem ele da minha causa perdida desiste,
De que vale lutar p’lo negativismo em vão?
Não…
Sou um toque soturno de felicidade,
A névoa fria brincando no rosto de quem ri…
Divirjo… feliz… há sempre uma razão.
A dúvida persiste no que é a minha verdade,
A constante procura da minha trindade…
E eu… nunca saio daqui!
Aqui me plantei, aqui me cresci,
Uma árvore robusta, forte,
Um ser que não tem medo da morte
Mas tem medo da paixão…




Renato Machado

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ao Jardim de São Francisco

De que valem as pedras que piso?
De que valem as pedras que me sustentam?
Ai… valem…
Valem o peso com que me sepultam,
Os anos largos guardando o riso
Valem os rabiscos que simbolizam o paraíso…´
Ai… valem…
Valem o choro sobre elas derramado,
Valem o silêncio do passo errado…
Pedras que são, amanhã meu corpo o será,
Corpo que se ergueu do chão, ao chão regressará.



Renato Machado

sábado, 23 de janeiro de 2010

Masoquismo

Como viver aprisionado na luz,
Um ser que não voa, que não plana
Mas uma alma brava que recusa pousar…
E vai tacteando todas as partículas no ar,
Escutando as vozes na mente que lhe engana…
Vivendo cada segundo da solidão da Luz.
E o vento turbulento que sopra estagnado,
Vem ferozmente abraçar o vazio…
Paz… clareia o imaculado da confusão,
Paz… ordena por ordem a ilusão…
E o que se apura sem prumo nem brio,
Vem como um calor ardente de calafrio,
Aninhar-se no escuro que ficou passado.

É como voltar a viver cada momento
E não poder dizer que já antes o tinhas vivido…
Apoiando-se naquilo que não se tem e se quer ter,
Quando a voz que lá ao fundo grita, não chama pelo seu nome…
Mais nada… só o vento!
A jangada de sentimentos vai-se destruindo,
Peça a peça, lá se vai tudo o que lhe fez viver…
Nessa luz que lhe exausta, seca os limites, tira-lhe a fome…

Jura-lhe que o tempo passou,
Conforta-lhe no escuro, chora, se isso o acalmar…
Mas segue… o passado, lá atrás ficou,
O frio, a luz… tudo isso se evaporou!
A noite por fim, chegou…
É hora daquele ser voltar a sonhar…

Renato Machado

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sala de Espera

Alegria… amor… ilusão…
Um misto de significados,
Que nem misto parece ter.
E sou eu que estou aqui… na confusão,
No arrastar de cena sem razão,
Num prolongamento doloroso de pecados
Pois, nem já à sabedoria vou beber…

Estou só cansado.
Faminto de sossego, de silêncio, de paz!
Quero o alívio de cerrar os olhos, quero breu!
Quero…
Tem dias que desespero,
Mas espero…
Porque sei que até o mal tem outro lado.
Ai…A vida sabe sempre o me traz,
E por mais que o seja capaz,
Deixo-me levar p’lo significado que Ele o deu…

Cessem as buscas ao sentido,
Pousem as candeias, pousem a vontade…
Eu desisto!
Há-de vir quando chegar a hora
Quem me dera que o fosse agora!
Depois de tudo que já foi vivido,
Quem me dera até sentir saudade…
Mas para mim, ainda é um misto…

Há-de vir quando chegar a hora…
E eu lhe darei o meu significado.

Renato Machado

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Rabiscos...

Não há vento, apenas tu.
Não há silêncio, apenas tu…
Não há fome, não há sede
Não há guerra, não quero a paz…
Não quero nada…
Apenas tu!
E apenas tu para me trazer guerrilhas,
Só tu para me empunhar de estandarte rumo à linha da frente…
Apenas tu…
Tu… tu que me montas e salvas das armadilhas
Tu que te divertes na minha mente…
Apenas tu…
Mas quem és tu?
Quem és tu, que não consigo enxergar?
Quem és tu que me fazes sofrer?
O vazio… a solidão… eu sofro… quem és tu?!
Não me ensines a amar
Para mais tarde ter que te esquecer…
Quero-te em mim apenas no sonho
Não quero um toque, um som… não te quero!
Quero que sejas apenas tu.
O meu acordar de vida risonho,
O oculto, aquele que sei que ali está, mas nunca espero…
Quero que sejas apenas tu…




Renato Machado

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Um Dia Serei um Poema

Um poema não se faz com juízos de valor,
Nem se escreve a verdade se, for metricamente gesticulada.
Não. Um poema não é isso!
O poema tem que mostrar amor.
Amor p’lo que fala…em raiva… mas há que ter amor!
Isso sim é poema… e mais nada.
O poema é arte mágica que dispensa feitiço.
O poema não é dom de palavra,
Mas a palavra que se humaniza e quer viver.
Isso sim! Poema é imagem na imaginação.
Poema é dom de falar com a voz do coração.

E se eu pudesse ser um poema, sei que o seria!
Viveria a intensidade de cada expressão,
O secretismo de cada figura de estilo…
Encontraria em cada palavra a minha alma… encontraria.
Ser poema, ser poeta, ser alegria!
Porque a poesia é apenas isso, uma estranha sensação
E por minha vontade,
Que se dane a liberdade!
Pois eu, no meu poema me exilo…

Encontrarei como Ary, a felicidade na minha escrita,
Nos meus versos, no meu amor p’lo mundo… ou por nada.
Mas encontrarei! Tirarei da vida, a lição mais bonita,
Aprenderei que não só de pó se faz a estrada.
No teu poema… no meu poema…
No amor pelo homem… no amor pela palavra…
Um dia serei um poema!



Renato Machado

domingo, 10 de janeiro de 2010

Tenho Saudades

Tenho saudades…
Tenho saudades daquilo que não tenho,
Dos momentos que não vivi…
Saudades de lugares de onde nunca venho,
Saudades de imagens irreais que desenho,
Saudades de tudo o que nunca vi…

Tenho saudades de sentir saudade,
E sentir que a saudade de mim se alheou,
De mim se cansou…
Ah…tenho saudade…
Apenas de mim, não há saudade…
De mim cansei, porque de mim nada sobrou…

E tenho saudades de ser eu…
De ser ideia ao acordar, e poeta ao adormecer.
Ser luz rompendo o escuro,
Saudades de ser eu…
De ser talento que vive para crescer!
Ser bola atrevida que repica, e salta o muro…
Saudades da magia que sentia ao escrever…

Tenho saudades de tudo, menos do bem que fiz,
Para quê sentir falta daquilo que nem sempre quis?
Mas tenho saudades… e as saudades fazem-me feliz…

Renato Machado

sábado, 9 de janeiro de 2010

Apenas...

Apenas sou um ser
Um ser que tudo quis ser…
E ser alguém que não se deve ser.
Apenas uma certeza,
A certeza que o que está certo, nem certeza tem.
Com certeza…
Apenas na minha incerteza, vive este meu alguém….

Vivendo na luz do desejo,
E desejar não estar lá, para não o viver.
Ao viver erradamente na ofuscante luz do desejo,
É meu desejo!
Apenas o esquecimento do meu saber.

Não quero amar o amado,
Nem venerar o já gasto venerado,
Apenas um ser…
Um ser que impacientemente, espera crescer.
Um ser de luz iluminado ao sol do anoitecer…
Apenas um ser… que quer apenas ser.

Tristemente, lá se vai o que se sente,
Fica apenas réstias de quem sente.
Um rasto quase apagado de sentidos e sentimentos,
E sente que o que antes sentira, hoje nada sente…
Hoje nada nem ninguém o sente…
Sobra-lhe as histórias que conta aos sete ventos.



Renato Machado

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

São Silvestre

Ilumina-te escuro!
Faz-te luz em mil auroras!
Boreais… celestiais,
Brancas, roxas, cardeais.
É a piro das horas especiais,
Ao morrer o velho, o maduro
E o novo vem fresco sem mais demoras.
Escorre ouro branco pela garganta,
Borbulha o cavalgante desejar!
Orgulhosa é a esperança que se levanta,
Ao som da euforia que se encanta,
Se renova, revolta em discernimento,
Na ambição, o supremo sustento…
O ciclo finda e torna a começar.

É como se florescesse a ressurreição,
Oferecendo uma nova e única oportunidade
Em Silvestres louros de se conseguir realizar.
Num segundo… pede-se o mundo sem razão.
Pede-se a felicidade sem condição,
Pede-se tanto, e tão pouco, desprezando a verdade…
Tudo o que a mente possa imaginar!
Tudo aquilo em que o desejo avança sem se julgar!
Sem se denominar alucinação,
Apenas a distorção da realidade.
Que o que há de vir seja somente viver,
Somente a sorte de acordar.
Projectos… sonhos… ambição…
Somente o sangue bombeado p’lo coração,
Dando ao corpo por onde se erguer,
Confiante no “second-round” a conquistar.


Renato Machado

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Génesis

Nem sempre a verdade enfrenta a mentira
Ao que se vê, a farsa é uma crença
Deus parece fruto do desespero…
E a verdade que antes lhe sorrira,
Não tem verdade… resta-lhe a mentira!
E ele não lhe presta presença
Nesta última sentença…
Até mesmo eu, confundo-me com aquilo que quero.

Fecham-se os olhos ao que está certo,
Ao mundo marcado pelo encoberto…
E as almas enganam-se no álcool da ilusão…
Um sabor estranho aninha-se por entre o paladar,
E a gente já nem sabe no que se deve acreditar!
Porque o que hoje nos é desperto,
Conduz-nos ao caminho, de destino incerto,
Sem morada, nem missão…

A verdade não quer discórdia,
Apenas procura a integridade na sua intenção.
Ás vezes dói…
Corrói…
Carece de divina misericórdia…
Aparenta não ter coração…
Mas a mentira não se curva à verdade…
Finge munir-se de dignidade,
Sorri como boa samaritana.
Teima avante a sua vontade…
Assim se fez a raça humana.

Renato Machado

Peixes...

Deliberam promessas,
Deliberam rumores,
E a verdade, parece estar esquecida
Entres as teorias às avessas.
Ideias e dogmas são levadas em remessas,
Ao paganismo de sábios doutores,
Que nem na sua fé encontram vida.

Deliberam história,
Deliberam tudo aquilo que é incerteza.
Contra a realidade rema este mundo!
E esta gente que lhes falta a memória…
Apenas lhes interessa o palco da glória!
Sábias mentes sem esperteza,
Míseras falhas, de um vagabundo…

Justificam perdões,
Justificam o que parece estar errado.
Mas o que não passou, não se detém,
Já que o que é vero, sempre vem
E, deparamo-nos com corações
No já perdido do achado.

E no fim sobram os insensíveis,
Aqueles que não possuem o dom de sentir…
Por não distinguirem o claro do escuro…
Sorte desses invisíveis!
Sem peso da farsa no seu agir,
Liberto da culpa que os possa ferir.
Felizes daqueles que, o frio é porto seguro.

Renato Machado

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Sólido

Nem ele rompe a música que vive em mim
Ou o silêncio que me embebeda…
Porque simplesmente não tenho medo,
E não faço disso um segredo,
Como para muitos, é trama que lhes enreda
No cortante delicado do seu cetim.

A mim, nem Deus me ordena
Ou me julga culpado, sem minha consciência…
Não! Também tenho Teo em minha posse!
Sou senhor fazedor de tudo o que quero, como se o fosse
Criador da minha própria eloquência!
Farei eu o meu castigo, saberei a minha pena!

Se o fogo me quiser queimar
Pois que saiba realmente àquilo que vem…
Nem medos, nem anseios
Nesta corrida, tenho em minha mão os arreios,
O meu Neptuno é digno de se dignar
Ele em mim, numa vida plana para enfrentar,
Pois não julgue ninguém…

Até o mais fino grão no seu singular
É capaz na solidão, a vitória do seu desejar.



Renato Machado

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Poema do Fim

Os sonhos alimentam-se de esperança
E os esperançados são filhos do Senhor.

Senhor…
Quando a esperança se esgota
E todo o nosso sentido esmorece,
Que sonhos devemos premiar?
Afundamo-nos na derrota?
Descalça-mos tal bota?
Mas a alma também de sonhos carece…
Senhor…
Preciso de ilusões para continuar!

E se a humanidade não fosse humana
Simplesmente por não saber sonhar?
Então eu seria normal
Um corpo e alma, de viver banal…
Que desejo o meu… uma mente sana!
Apenas um humano estacionado no seu lugar.

Sem esperança, meus sonhos vão se afundando.
E contraem-me os tendões que me fazem andar
Nesta roda-viva,
Secando até minha saliva…
Então, pouco a pouco, cambaleando
Padecerei sobre as recordações que comigo,
Hão-de se sepultar….



Renato Machado

Vinte e Um

Vem de vinte e um e vai crescendo,
Petulante, talvez pela indecisão,
Mas não mostra parte fraca, nem fraqueza
Porque não há resposta certa, nem certeza,
E vou morrendo…
Rezando aos poucos para que se vá renascendo,
No lusco-fusco da imaginação.
E vou me revendo em cálculos sem sentido,
Entre os anos que me vão dando os dias…
Nada mais me importa!
Se passar da cepa torta,
Basta a ideia de o ter vivido…
Por me desenhares vendado,
Fui com um fado mal traçado,
Pois sei que nem tu, assim me querias.

E o jogo de números que carrego,
São poucos aos olhos de quem já os tem.
Mas o desespero não me assola,
Porque a idade essa, é óbolo que Deus me dá de esmola.
Sem precisar ou querer sequer sossego…
Apenas a razão de quem quer ser genuíno no seu “alguém”.

Mas a vida mora entre o antes e o depois.
Respeitando o passado tantas vezes errante
E, prevendo um futuro, se o for avante...
Quando se almeja apenas o vinte e dois.


Renato Machado

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

De Difícil Compreensão

Não me dês culpas nem desculpas,
Não me dês o peso dos teus sonhos,
Pois não os sustentarei…
Dá-me dias cinzentos risonhos!
Dias solarengos e enfadonhos!
Deixa-me apenas ver-me em ti, tudo aquilo que serei…

Partilha comigo, mas não as dívidas.
Mostra a verdade quando me dás mentiras,
Solta os teus gritos quando te calas…
Já eu…não sei se os ouvirei.
Terei certezas enquanto duvídas
Das minhas decisões onde te retiras,
Por julgares que eu nunca o farei…

Mas porque não me disseste a verdade?
Porque me deixaste ir em frente,
Quando querias voltar para trás?
Não acredito quando dizem ser maldade,
Já que o teu beijo se entrega pleno de virgindade,
Tal aprendiz adolescente…
Que sacia a aguçada curiosidade,
De ser expressão de amor e paz.



Renato Machado

Declaração de Amor

Pensando….mas não julgando…
Um sonho…uma vontade!
Um dia imaginado, feito crescido,
Realidade!
Um rosto erguido, um toque de simplicidade.
E o tempo …vai de mansinho passando.

Imagino a minúcia do prazer,
Um momento, um beijo roubado…
No virar da página… o frio subindo pela espinha,
Nunca antes imaginado!
Um olhar que alinha, o chamamento desejado…
E que alegria que é podê-lo dizer…

Pondo tudo no devido lugar,
Tenho espaço que sobra para te receber.
Sim… tu e eu.
Vamos renascer... mas nunca morreu!
Nem sequer sei o que nos aconteceu
Apenas te sei conjugar no verbo amar.

Renato Machado

Os Três Homens

Primeiro vem o mistério.
Os olhos serrados embebidos de escuridão…
Aparece vindo do nada um império,
O homem de rosto recto e sério,
A torre que me guia pelos caminhos da orientação.

Depois vem o amor.
A sensação de estar completamente desamparado…
Vem de longe a agonia, mais a dor,
Um homem mergulhado no seu sabor,
O doce amargo de amar o errado.

A culpa virá sem hora prevista,
Nos galopes dos sentimentos arrependidos.
Outro homem seguirá na lista,
É remorso de não realizar e ser realista,
Ter os pés pregados ao chão… tomar parte dos sentidos…

São apenas homens no meu agora.
E eu sou um peão que vacila no atrito,
Sou carência acentuada no passar da hora,
Um corpo sem alma… não se chora!
Impotente até de soltar um grito…


Renato Machado

Sexto Sentido

Qualquer que seja o meu sabor
É apenas meu!
Doce, amargo… sempre pessoal.
Um toque quanto sei, nada banal,
Um gosto a calor,
Mas não tem nada de amor…
No teu paladar, serei apenas eu,
Porque não quero ser outro alguém
Que cruza a tua memória e se esfuma…
Porém, não há nada para te dar
Nem um sentimento ou um lugar
Apenas o paladar…
Não será aquele que me convém,
Tudo bem…
Pois onde a minha alma ruma
Nem o meu gosto te vai cativar…

Então cheira-me!
Toca-me, olha-me!
Ouve-me e, mesmo que eu não to faça,
Já que Deus não me deu tal graça…
Ama-me…




Renato Machado

Malhas de Mim

Em desalinho
Vou segurando pontas distraídas,
Tal peça solta.
Como se um único ponto cosesse a alma,
Como pontos largos sem caminho...
E desenho avenidas!
Vou-me imaginando nas suas subidas!
Sem possuir esquadria ou calma,
Sempre sozinho...
Porque a minha agulha,
É tal fagulha sem trona volta.

E de uma só vez,
Todas as malhas que me incorporam,
São remendadas pela minha mestria.
Talvez o "ponto sonho" que se mostra frouxo no seu revés,
É perfeito aos olhos do mundo, e pode ir de lés a lés...
Bordado que sou, foi Deus que o fez!
Se um ponto falhou...
Emende-o quem me emendou!
Mas as minhas malhas não choram,
Nem a perfeição elas adoram...
Tão pouco a alma mostra histeria...

Renato Machado

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Amor... Não o quero...

O amor é defeito mais humano
Que a mais soberana imperfeição.
É olho gordo dos esfomeados,
É carência dos pensamentos indignados.
É sentimento quase mundano
Que chega a ser desumano,
Quando se confunde nos labirintos da razão.
O amor consome cada sopro da essência,
Apodera-se de cada partícula de genuidade e pureza
É sentimento que nos mantém na incerteza,
Diverte-se quando nos gira, feito pião,
Quando nos arranca o coração...
Amor não serve para quem quer Existência,
No amor não existe rasto de beleza
Se conseguirmos olhar para lá da ilusão.
Amor é imagem escondendo a frieza
É desamparo no meio da multidão...

Porque o amor não me escolhe então,
Não me acolhe... não me dá a mão...


Renato Machado

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ser Daniel

Não queiras fazer de mim o teu Daniel…
Ou outro caçador fictício de razões.
Os teus medos serão sempre teus
E ninguém se interessa pelos meus
Actuam como Dário, no seu gesto cruel
Lançando tudo e todos aos leões…

Não sei se cantarei,
Alarmando Deus para as minhas angústias…
Foi sempre uno o peso da minha dor…
Ordem indestrutível que acarretarei…
Se a vou questionar, jamais o saberei
Apenas não servirei
À descendência soberana de Nabucodonosor



Renato Machado

Bacanal

Murmuravam burburinhos de luxúria…
E os olhos brilhavam mais fundo que o mar matinal.
Havia no ar um nauseante cheiro de penúria,
Abafado pelos incensos sem injúria,
E eu gargalhava doido feito animal…

Na hora de perguntar a Baco, o que seria tudo isto,
Uma voz chamou por mim.
Lá nos primórdios adormecidos da consciência,
Conduzindo-me a este mundo onde a minha vida é um misto,
De áspera lixa e suave cetim.
Já que o sonho é uma ilusão sem brisa de existência…

São assim os meus dias…
Deslocado dos terrenos por onde flutuo,
Entre pensamentos febris de tamanhas iguarias,
Sou humano, tenho curiosidade de orgias!
Os cheiros… os toques… os sons…
As melodias gemidas em diversos tons…
Musicas que me entulham de perversas heresias…

Renato Machado

sábado, 17 de outubro de 2009

Barbie

A boneca estava sentada na prateleira,
Onde outrora se fartaram dela…
Por dela se terem cansado...
O pó remoinhava na sua cabeleira,
O vestido pregueado perdia a cor verdadeira,
O encanto nos seus lábios já não tinha significado.
Sem poder mostrar o que lhe vai lá dentro,
Nem sabe o alívio do que é chorar!
Assim custa sempre mais a sarar,
(a ferida de purpurinas no lixo jogado)
Por não poder mais permanecer no centro…

Os seus olhos sem vida não se conseguem fechar,
Triste boneca jogada ás traças do esquecimento.
Ali no alto, planeia dali se jogar,
Espatifar-se no chão e, por fim acabar…
Ser levada pelas ondas de quem lhe apanhar,
E lhe der o pouso do seu merecimento.

Então deixou de acreditar na esperança.
Descansou no seu lugar alojado entre pó e solidão…
A vida morava na prateleira ao lado,
E ela… espectadora no seu beirado,
Nem reparou na desconhecida criança,
Que lhe sacudiu com carinho as pregas do vestido,
Com cuidado, aninhou-a junto ao seu pequeno coração…

“Olá Barbie, sou a tua nova amiga”

Renato Machado

Minha Forma de Ver

Meu coração bate acelerado
São mil veias bombeando um rio vermelho!
Sou demónio conformado.
Se não estou morto,
Se o coração não se mostra velho,
Então serei fome de realizar o que está errado.

A bailarina insegura mas teimosa,
Faz trapézio na corda bamba dos seus receios.
São espinhos que embelezam cada rosa…
Os medos de uma bailarina corajosa,
Ao atravessar a corda receosa
De cair no chão gelado dos seus anseios…

O arrependimento sufocará o meu futuro,
Se o que não fiz, foi por medo de falhar…
O meu génio mostra-se tolerante ao escuro.
Se é meu desejo…Não me censuro!
Há tanta gente nesta esfera
Que morre seco de tanta espera,
Adiando até o formigueiro de querer tentar…

Renato Machado

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Margarida

O silêncio mora no abismo do teu olhar,
Quando te recusas a falar de tudo aquilo que sentes.
Alma de pássaro vasculhando sítios onde pousar,
É batalha que teima por não findar,
Para poder viver sem receios
As alegrias que proteges com todos os dentes…

As mãos pousadas no descanso do corpo sereno,
São como jóias perdidas no tempo das memórias…
Fadigas sem morada nem terreno,
Partes ignoradas no choro mais pequeno,
Quando forças a tranca
Para esconder todas aquelas histórias…

Não te escondas num pedestal de superioridade…
Da segurança que adquiriste pela secura.
Seres sensível mostra aos outros,
Um pouco de dignidade!
Demonstra um carácter desnudo de vaidade,
Na busca infindável pela tua auto-procura…

Serás sempre para mim, uma divina dúvida.
A mente mais complexa e repleta de medos,
Recolhidos em palavras e segredos,
São mistérios de uma flor já crescida!
Pétalas levadas p’lo vento,
De uma simples margarida…

Renato Machado

Talvez sim... talvez não

Não me apetece escrever…
Não o vou dizer…
Remeto-me ao silêncio que me escolhe.
Mas sei que estou à vontade
Para relatar a minha saudade,
De quem me expulsa do seu olhar,
E nele me acolhe…

Não valerá a pena olhar para trás,
Se tudo aquilo que escolhi
Já nada de novo me traz.
Não me repugna, nem me satisfaz…
As manhas mais engenhosas que teci,
Não são suficientes para querer regressar a ti.

Talvez seja o melhor que tenho para fazer…
Um novo brinquedo
Oferece-me sempre um novo enredo,
Já que me dizem ser o ideal para te esquecer…

Problema quase resolvido!
Falta apenas selar e despachar a encomenda…
Irá para quem não se importe com o amassado,
Com o debutado…o farrapo descosido…
Não quero nada daquilo que representas.
Bem podes te esforças que já não me atormentas!

Renato Machado

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Santa Luzia

Nas mentes mais lúcidas desta gente,
Contam-se contos de quem nasceu da areia fria.
A alma de um povo que sente
As raízes sólidas que aqui o prende.
Aceitam com alegria esta corrente…
É sede de orgulho que se sacia!

O povo é aquele que aqui mais cintila.
Existe tempero de sal em cada casa.
Tapou com pedras a argila,
Para sepultar aqui a sua origem…
Tem esquemas de puto reguila!
Peixe sonhador que procura asa,
Inconsciente do que é sofrer com a vertigem.

Há quem deseje experimentar o mundo lá fora.
Mas acomode-se ao “deixa andar”…
A oportunidade ri-nos uma vez
E vai embora…
Comboio que parte na hora
Do remorso por não saltar…

Renato Machado

Emanuela

Sentia que estava feliz,
Talvez porque era pequeno a teu lado…
Esticava o corpo para te ver,
O exemplo que tinha a aprender,
Seria dado no teu ensinamento atrapalhado…
E eu chegava de olhos abertos!
Afim de capturar cada imagem da tua atitude.
Os passos sempre certos,
Demagogia precoce aos anos espertos,
Levaram os laços a tanta longitude…

Porque crescemos juntos,
Somos frutos nascidos da mesma árvore de Adão…
Existem semelhanças e diferenças
Que nos unem e separam nas crenças,
Numa amizade que nasceu
Plantada no beco onde cresceu.
Entre risos vindos do coração…

Se hoje sou o que sou,
Sei que parte de mim és tu!
Mãos de irmã que me moldou,
Nas histórias infantis que me contou.
Amiga que me escutou.
Sei que, parte de mim é…e serás sempre tu.

Renato Machado

Poema dos Mares

Calem-se as vozes de tormento!
Deixem-me ouvir cantar o mar…
Nos braços robustos deste vento,
Vem cantar-me em tom sonolento,
A confusão de ondas que morrem para me chamar…
“Dança comigo!”
Gritam pequenas almas aprisionadas,
Puxam-me nas suas lendas encantadas,
Confundindo a aura de um pobre índigo…
Desmoronam-se contigo,
Nas redes rotas de mil armadas…

Eu, o mar…areia e sal…
Lendas distraídas por entre as gaivotas,
Nomes esquecidos nas derrotas,
São palavras sem descanso depois de mortas!
Ancoradas no sagrado areal…

Já vai subindo o sol no horizonte.
E as palavras naufragadas… brilham no fundo…
Entre os cardumes repletos de energia!
Meus sonhos são guardados no mar mais profundo,
Guardião de sonhos por todo o mundo.
Ave-maria…

Renato Machado

Contrafortes

Perplexos estão meus músculos,
Ao ver toda uma vida destruída…
Nem chorar p’lo que antes era meu consigo…
Percebo agora que não tenho saída,
Que faço?
Vou comprar um bilhete só de ida,
Deixar aqui estes repugnantes vínculos.

São mais de mil caras,
Rostos que gozam de tudo aquilo que construí…
Escárnio insultuoso sem respeito,
Dos que almejam cada passo,
Como pequenas pedras raras!
Já que arriscar parece ser um direito,
Dos juízes inquisidores do meu defeito…
Enxugo as lágrimas que me ensopam o regaço…

Esquece isso…
Estar de costas voltadas apenas te afunda,
Não queiras fugir de todas as pelejas,
Pois ninguém as travará por ti…
São só medos!
Abre os olhos para que vejas,
As pequenas grandes coisas que já fizeste…
Por ti…

Renato Machado

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Cores Aurias

Tenho uma paleta de cores
No interior do meu ser…
Há que pintar cada ocasião!
Tenho um tom de negro, quando a vida assim o quer…
Tenho um branco quando há vida a nascer…
Pinto sombras encarnadas quando falo com o coração.

É um quadro ilustrando a minha sina,
Com cinzento baço improvisado…
Em pinceladas grossas de resina,
São imagens cegas na tua retina,
São palavras mudas aninhadas no meu beirado…

Um toque de azul-turquesa
Pincelando os rabiscos mais tristonhos.
Captam cenas de tristeza,
De angustia sem certeza
Personagem de cena sem sonhos…

São cores que vejo no meu mundo!
Cores alheias á sala expectante do meu bem estar…
Cores pintadas no meu fundo,
Sem descrição do seu oriundo,
Tintas que correm no vaso mais profundo
No brilho incessante do meu olhar…

Renato Machado